{"id":5570,"date":"2018-06-15T15:37:39","date_gmt":"2018-06-15T18:37:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caritasne2.org.br\/?p=5570"},"modified":"2018-06-16T13:46:33","modified_gmt":"2018-06-16T16:46:33","slug":"caminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-de-migracoes-e-refugio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/caminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-de-migracoes-e-refugio\/","title":{"rendered":"Caminhos para a cultura do encontro s\u00e3o sinalizados no Semin\u00e1rio de Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSou neto de um homem que nasceu na China, sua m\u00e3e vi\u00fava, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de cri\u00e1-lo, deu a um tio comerciante que vivia nas Filipinas. O menino migrou e come\u00e7ou uma nova vida, casou-se e teve nove filhos, a terceira \u00e9 a minha m\u00e3e. Eu tamb\u00e9m carrego o DNA de migrantes em meu sangue. Estou seguro que voc\u00ea tamb\u00e9m\u201d, enfatizou emocionado o cardeal Luis Antonio Tagle, de Manila, Filipinas e presidente da C\u00e1ritas Internacional, ao participar do Semin\u00e1rio Internacional de Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio, com o tema: \u201cCaminhos para a cultura do encontro\u201d, entre os dias 12 a 14 de junho de 2018, em Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n<p>Participaram do Semin\u00e1rio migrantes e refugiados que vivem no Brasil, representando cerca 50 pa\u00edses, agentes C\u00e1ritas, Igrejas Crist\u00e3s, denomina\u00e7\u00f5es religiosas, agentes de pastoral, ag\u00eancias de coopera\u00e7\u00e3o e governos, num total de 200 pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_195445\" class=\"wp-caption alignright\"><\/div>\n<p>O presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha participou da mesa de abertura do semin\u00e1rio. O secret\u00e1rio-geral da entidade,\u00a0dom Leonardo Ulrich Steiner<strong>,\u00a0<\/strong>participou da coletiva de imprensa e ressaltou a import\u00e2ncia das comunidades, fam\u00edlias e crist\u00e3os colocarem-se numa atitude de abertura para acolher os migrantes e refugiados que chegam ao Brasil. \u201cQuase todos n\u00f3s somos descendentes de imigrantes, quase todos n\u00f3s somos descendentes daqueles que chegaram e tiveram de come\u00e7ar do zero, tiveram de lutar, quantos pereceram\u2026 Somos dessa descend\u00eancia. Somos todos irm\u00e3os em Cristo e queremos acolher todos\u201d, refor\u00e7ou dom Leonardo que tamb\u00e9m lembrou de sua ancestralidade alem\u00e3.<\/p>\n<p>Mayra Alejandra Figura de Ortiz, venezuelana que vive no Brasil desde 2014, j\u00e1 conseguiu o visto permanente no pa\u00eds. \u00a0Emocionada contou que a f\u00e9 em Deus e o esp\u00edrito de solidariedade a fortalecem. Mayra trabalha como volunt\u00e1ria na Pastoral do Migrante em Boa Vista (RR) ajudando seus compatriotas que chegam aos milhares no estado de Roraima. \u201cA f\u00e9 em Deus nos faz confiar, a ter esperan\u00e7a! Por isso, eu tamb\u00e9m ajudo outras pessoas, porque sei que necessitam de uma palavra de \u00e2nimo e incentivo. \u00c0s vezes precisam somente de um cafezinho, um p\u00e3o, um leite\u201d, relatou Mayra. Ela recorda que diversas vezes deu a \u00faltima comida que tinha na geladeira, com a confian\u00e7a que algu\u00e9m ofereceria alguma coisa no dia seguinte \u00e0 sua fam\u00edlia. Mayra vibra, o filho mais velho conseguiu trabalho numa mercearia, recebe R$ 600 reais por m\u00eas, \u00fanica renda fixa mensal da fam\u00edlia. Com esse valor conseguem pagar o aluguel e sobra R$ 200 reais para as demais despesas da fam\u00edlia. O esposo chegou h\u00e1 seis meses ao Brasil, ainda est\u00e1 desempregado.<\/p>\n<p>A diversidade cultural e religiosa dos v\u00e1rios pa\u00edses representados pelos migrantes e refugiados, no Semin\u00e1rio, tamb\u00e9m foram tema de debate e partilhas. O cardeal Tagle destacou que \u00e9 preciso crescer na intelig\u00eancia cultural e inter-religiosa, assunto pouco dialogado na Igreja, segundo o cardeal. \u201cA cultura \u00e9 como uma segunda natureza. Agimos de acordo com a nossa cultura que \u00e9 uma forma de a gente se expressar. Se eu n\u00e3o entender a cultura da outra pessoa, o mist\u00e9rio dela, vou come\u00e7ar a agir de modo suspeito, vou ter medo dela\u201d, refor\u00e7ou dom Tagle, que ainda disse que reza e espera que nas comunidades de f\u00e9 as pessoas desenvolvam o interesse por estudar a aprender das diversas culturas que os migrantes trazem para assim construir pontes e n\u00e3o muros que promovem separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comunidade de Ganeses de Crici\u00fama (SC), Salihu Larry, partilhou que uma das maiores dificuldades que encontrou ao chegar no Brasil, foi o preconceito religioso e com as express\u00f5es culturais de seu pais, Gana, \u00c1frica Ocidental. \u201cN\u00f3s somos seres humanos, cada um de n\u00f3s tem direito de pertencer a religi\u00e3o que escolher. Eu sou isl\u00e2mico, a forma de expressar e viver a minha f\u00e9 n\u00e3o pode ser uma barreira que separa a gente. Temos de nos unir como fam\u00edlia humana. A verdade \u00e9 essa: temos de tratar uns aos outros como seres humanos\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos tratar a migra\u00e7\u00e3o pensando aos sujeitos, n\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias e aos medos de alguns ou as irresponsabilidades administrativas de outros. A chegada dessas pessoas mexe. Mexe porque s\u00e3o diferentes. Mexe porque tem outro modo de conceber a vida, de tratar os problemas, de cuidar dos valores, de tratar a fam\u00edlia, de cultivar a amizades, de se virar na hora da prova. Essas pessoas que chegam enriquecem, n\u00e3o s\u00f3 porque trazem uma riqueza, mas porque ativam processos, obrigam a gente a perceber que outros est\u00e3o em necessidades. Obrigam a gente perceber que a comunidade n\u00e3o \u00e9 nivelamento, todo mundo igual, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. Ajuda a perceber que o Brasil tamb\u00e9m tem diferen\u00e7as, sobretudo sociais e raciais que s\u00e3o feridas abertas. Mas tamb\u00e9m outras diferen\u00e7as, e tendo que nos abrir e relacionar com o migrante a gente acaba ficando aberto e tratando com mais miseric\u00f3rdia, mas sabedoria, mais flexibilidade mental e de cora\u00e7\u00e3o, de recursos e de portas mais abertas com as outras pessoas que representam exclus\u00e3o e forma de alteridade na comunidade. Ent\u00e3o nesse sentido os migrantes s\u00e3o oportunidades. Nos tiram de nosso pedestal de na\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica nos obrigando a perceber que Deus fala com outros tamb\u00e9m, de outras formas, prescindindo da gente\u201d, lembrou Carmem Lussi, assessora do Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios (CSEM).No decorrer do Semin\u00e1rio os temas abordados para fortalecer a cultura do encontro permearam desde os direitos humanos; dialogo com organismos internacionais e governos; a quest\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o brasileira para o migrante e refugiado; o protagonismo e empoderamento dos migrantes e refugiados; as pr\u00e1ticas bem sucedidas de acolhida e integra\u00e7\u00e3o no Brasil; a vulnerabilidade de crian\u00e7as, adolescentes e jovens migrantes; a intoler\u00e2ncia que gera viol\u00eancia e xenofobia; a crise humanit\u00e1ria no mundo e as pr\u00e1ticas de solidariedade da humanidade, todas essas discuss\u00f5es, permeadas com diversidade cultural,\u00a0 manifestou-se nas m\u00fasicas, comidas, o colorido das roupas, sobretudo, nos di\u00e1logos e pontes estabelecidas a partir das conviv\u00eancias.<\/p>\n<p><em>Por\u00a0Osnilda Lima\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Fotos: Francielle Oliveira e Morgana Dam\u00e1sio<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0Rede de Comunicadores da C\u00e1ritas Brasileira<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: CNBB<\/em><\/p>\n<ul class=\"ssb_list_wrapper\"><li class=\"fb2\" style=\"width:135px\"><iframe src=\"\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.caritasne2.org.br%2Fsite%2Fcaminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-de-migracoes-e-refugio%2F&amp;layout=button_count&amp;action=like&amp;show_faces=false&amp;share=true&amp;width=135&amp;height=21&amp;appId=307091639398582\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"border:none; overflow:hidden;  width:150px; height:21px;\" allowTransparency=\"true\"><\/iframe><\/li><li class=\"twtr\" style=\"width:90px\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/share\" class=\"twitter-share-button\" data-url=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/caminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-de-migracoes-e-refugio\/\">&nbsp;<\/a><script>!function(d,s,id){var js,fjs=d.getElementsByTagName(s)[0],p=\/^http:\/.test(d.location)?'http':'https';if(!d.getElementById(id)){js=d.createElement(s);js.id=id;js.src=p+':\/\/platform.twitter.com\/widgets.js';fjs.parentNode.insertBefore(js,fjs);}}(document, 'script', 'twitter-wjs');<\/script><\/li><li class=\"gplus\" style=\"width:68px\"><div class=\"g-plusone\" data-size=\"medium\" data-href=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/caminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-de-migracoes-e-refugio\/\"><\/div><\/li><li class=\"ssb_linkedin\" style=\"width:64px\"><script src=\"\/\/platform.linkedin.com\/in.js\" type=\"text\/javascript\">lang: en_US<\/script><script type=\"IN\/Share\" data-url=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/caminhos-para-a-cultura-do-encontro-sao-sinalizados-no-seminario-de-migracoes-e-refugio\/\" data-counter=\"right\"><\/script><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSou neto de um homem que nasceu na China, sua m\u00e3e vi\u00fava, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de cri\u00e1-lo, deu a um tio comerciante que vivia nas Filipinas. 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