{"id":2509,"date":"2015-05-22T10:16:01","date_gmt":"2015-05-22T13:16:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ne2.caritas.org.br.s174889.gridserver.com\/?p=2509"},"modified":"2017-07-11T15:19:25","modified_gmt":"2017-07-11T18:19:25","slug":"ha-vida-depois-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ha-vida-depois-lixo\/","title":{"rendered":"H\u00e1 vida depois do lixo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por 23 anos, a vida de Ednalva Belo da Silva, 47, resumiu-se a acordar cedo e trabalhar o quanto o corpo aguentasse no lix\u00e3o de Parelhas, cidade de 20.000 habitantes no interior do Nordeste brasileiro. Das montanhas de sucata ela muitas vezes tirou alimentos e roupas para si mesma e para os seis filhos, dois dos quais adotivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moana Nunes, aos 19, \u00e9 bem mais nova que Ednalva. Mas tamb\u00e9m carrega nas costas longos anos de labuta em um aterro sanit\u00e1rio: depois que o pai abandonou a fam\u00edlia, ela come\u00e7ou aos 6 para ajudar a m\u00e3e. At\u00e9 a quinta s\u00e9rie, ficava meio per\u00edodo no lix\u00e3o de Caic\u00f3, a 60km de Parelhas. Depois disso passou a trabalhar em tempo integral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 faz mais de um ano que Ednalva e Moana sa\u00edram dos lix\u00f5es e hoje se autodenominam \u201ccatadoras de materiais recicl\u00e1veis\u201d. E isso n\u00e3o se trata de uma defini\u00e7\u00e3o politicamente correta. O trabalho de fato mudou quando as prefeituras locais proibiram o trabalho nos aterros e criaram programas de coleta seletiva, assumidos pelos grupos onde as duas atuam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada uma em sua cidade, hoje elas trabalham em esquema cooperativo. Vestem uniforme. Lidam apenas com lixo seco, sem restos de comida ou outros res\u00edduos org\u00e2nicos. T\u00eam hor\u00e1rio de trabalho definido. Passam parte do dia na rua \u2013 coletando o material \u2013 e outra \u00e0 sombra, em galp\u00f5es, separando-o para depois vend\u00ea-lo para ind\u00fastrias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo ambiente de trabalho n\u00e3o tem o mau cheiro caracter\u00edstico de um lix\u00e3o, e nele a possibilidade de contrair uma doen\u00e7a \u00e9 muito menor. No fim do m\u00eas, cada associa\u00e7\u00e3o divide o lucro entre os participantes.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Baque financeiro<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem labutou tantos anos em situa\u00e7\u00e3o desumana, as novas condi\u00e7\u00f5es trazem in\u00fameras vantagens \u2013 sa\u00fade melhor, tempo para estudar \u2013, mas tamb\u00e9m desafios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os catadores ganharam uma visibilidade in\u00e9dita. Se antes ficavam nos arredores da cidade, agora v\u00e3o \u00e0s ruas buscar o material. No in\u00edcio, nem todos os recebiam bem. \u201cO pessoal mandava a gente sair da cal\u00e7ada. Muitos me negaram um copo d\u2019\u00e1gua\u201d, conta Moana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra diferen\u00e7a: a vida nos lix\u00f5es era extremamente individualista. Quanto mais se conseguisse trabalhar, mais dinheiro os catadores faziam. \u201cE as desaven\u00e7as eram resolvidas na faca\u201d, lembra o educador popular Joseilson Ferreira, da C\u00e1ritas, uma das entidades apoiadoras da nova organiza\u00e7\u00e3o dos catadores em Caic\u00f3 e Parelhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u201cHoje os conflitos s\u00e3o outros: se algu\u00e9m burla as regras, tem que ser punido; se falta ao trabalho, tamb\u00e9m. Na hora da separa\u00e7\u00e3o do material, se um separa mais e outro menos, acaba algu\u00e9m dizendo que o outro n\u00e3o trabalha. Mas a forma de resolver os problemas tamb\u00e9m muda, passa a ser na base da conversa\u201d, ele continua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerir as pr\u00f3prias atividades \u2013 sem esperar que um empres\u00e1rio ou outra pessoa de fora mande fazer \u2013 e dividir o lucro tamb\u00e9m \u00e9 novidade. Curiosamente, a renda caiu, segundo Moana. Antes a jovem fazia cerca de R$ 1 mil em 15 dias, enquanto hoje consegue faturar entre R$ 600 e R$ 900. Em Parelhas, o baque financeiro foi ainda maior: os catadores tiram em m\u00e9dia R$ 215 por m\u00eas, rendimento complementado pelo Bolsa Fam\u00edlia e por cestas b\u00e1sicas distribu\u00eddas pela prefeitura.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Novos planos<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMesmo assim, a vida da coleta seletiva n\u00e3o se compara \u00e0 do lix\u00e3o. Eu era muito isolada, agressiva, porque n\u00e3o aguentava a humilha\u00e7\u00e3o feita com os catadores. Hoje gosto de sair, conversar, me reunir com os colegas. Voltei a estudar\u201d, comemora Ednalva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela acrescenta que, com o tempo, cada vez mais a popula\u00e7\u00e3o entende a import\u00e2ncia que os catadores t\u00eam para o meio ambiente. \u201cPor onde passamos, n\u00e3o existe mais catador rasgando os sacos de lixo para pegar o que interessa e jogando o resto na cal\u00e7ada.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a quest\u00e3o da renda depende de as associa\u00e7\u00f5es de catadores ampliarem sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Nenhuma delas percorre as cidades por completo, e para faz\u00ea-lo dependem de infraestrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso est\u00e1 mais perto de se tornar realidade por meio do projeto Rio Grande do Norte Sustent\u00e1vel, que o Banco Mundial financia e \u00e9 implementado pelo governo do estado. Por meio dele, as associa\u00e7\u00f5es poder\u00e3o construir galp\u00f5es pr\u00f3prios e comprar equipamentos para conseguir processar mais materiais recicl\u00e1veis. Tamb\u00e9m receber\u00e3o assist\u00eancia t\u00e9cnica e treinamentos t\u00e9cnicos e em gest\u00e3o dos seus empreendimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs investimentos permitir\u00e3o transformar essas pessoas em leg\u00edtimos empreendedores socioambientais\u201d, resume F\u00e1tima Amazonas, gerente do projeto no Banco Mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O esfor\u00e7o das duas cidades se repete em outras partes da Am\u00e9rica Latina, como Argentina e Peru. Mas ainda \u00e9 preciso fazer mais: das 15 milh\u00f5es de pessoas que ganham a vida recuperando material recicl\u00e1vel no lixo, 4 milh\u00f5es est\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, onde pelo menos 75% trabalham de forma insalubre. Estima-se que s\u00f3 no Brasil existam entre 500.000 e 800.000 catadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Mariana Kaipper Ceratti \u00e9 produtora online do Banco Mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Site El Pa\u00eds<\/p>\n<ul class=\"ssb_list_wrapper\"><li class=\"fb2\" style=\"width:135px\"><iframe src=\"\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.caritasne2.org.br%2Fsite%2Fha-vida-depois-lixo%2F&amp;layout=button_count&amp;action=like&amp;show_faces=false&amp;share=true&amp;width=135&amp;height=21&amp;appId=307091639398582\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"border:none; overflow:hidden;  width:150px; height:21px;\" allowTransparency=\"true\"><\/iframe><\/li><li class=\"twtr\" style=\"width:90px\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/share\" class=\"twitter-share-button\" data-url=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ha-vida-depois-lixo\/\">&nbsp;<\/a><script>!function(d,s,id){var js,fjs=d.getElementsByTagName(s)[0],p=\/^http:\/.test(d.location)?'http':'https';if(!d.getElementById(id)){js=d.createElement(s);js.id=id;js.src=p+':\/\/platform.twitter.com\/widgets.js';fjs.parentNode.insertBefore(js,fjs);}}(document, 'script', 'twitter-wjs');<\/script><\/li><li class=\"gplus\" style=\"width:68px\"><div class=\"g-plusone\" data-size=\"medium\" data-href=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ha-vida-depois-lixo\/\"><\/div><\/li><li class=\"ssb_linkedin\" style=\"width:64px\"><script src=\"\/\/platform.linkedin.com\/in.js\" type=\"text\/javascript\">lang: en_US<\/script><script type=\"IN\/Share\" data-url=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ha-vida-depois-lixo\/\" data-counter=\"right\"><\/script><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por 23 anos, a vida de Ednalva Belo da Silva, 47, resumiu-se a acordar cedo e trabalhar o quanto o corpo aguentasse no lix\u00e3o de Parelhas, cidade de 20.000 habitantes no interior do Nordeste brasileiro. 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