{"id":1776,"date":"2014-05-22T10:07:27","date_gmt":"2014-05-22T13:07:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ne2.caritas.org.br.s174889.gridserver.com\/?p=1776"},"modified":"2017-07-11T15:22:25","modified_gmt":"2017-07-11T18:22:25","slug":"ato-em-defesa-da-agroecologia-fecha-ponte-entre-juazeiro-petrolina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ato-em-defesa-da-agroecologia-fecha-ponte-entre-juazeiro-petrolina\/","title":{"rendered":"Ato em defesa da agroecologia fecha ponte entre Juazeiro e Petrolina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O poeta e agricultor Geraldo Gomes, de Minas Gerais, entoou o canto que fala direto ao cora\u00e7\u00e3o de quem ama a vida: \u201cEu moro no meio do mato\u2026\u201d. E a m\u00fasica sanfonada desenhava a conviv\u00eancia com as flores, o canto dos p\u00e1ssaros, o som das \u00e1guas, com as cores e os cheiros da vida ecol\u00f3gica. O hino foi cantado na abertura de uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es agroecol\u00f3gicas realizadas no Brasil, que marcou o \u00faltimo dia do III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), na segunda-feira (19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma caminhada de cerca de dois quil\u00f4metros, saindo do campus da Univasf, em Juazeiro, at\u00e9 a ponte Presidente Dutra, que liga a cidade baiana a Petrolina, em Pernambuco. \u00c0 frente estavam pelo menos 2 mil pessoas, entre agricultoras e agricultores da cidade e do campo, ribeirinhos, povos e popula\u00e7\u00f5es tradicionais de todo pa\u00eds, ocupando a via de 800 metros. Em defesa da agroecologia, balan\u00e7aram seus chap\u00e9us de palha, s\u00edmbolo da agricultura camponesa, e saudaram o rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por cerca de uma hora os manifestantes fizeram a interdi\u00e7\u00e3o da via, sob o sol forte e nuvens gra\u00fadas. A beleza das \u00e1guas do Velho Chico, que resiste \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, encantava os presentes, que fizeram quest\u00e3o de alertar a popula\u00e7\u00e3o ao microfone: \u201cesse rio n\u00e3o aguenta mais tanto agrot\u00f3xico das transnacionais\u201d. O vento tremulava bandeiras vermelhas, feministas e muitas outras em defesa da agroecologia e, como dizia uma das can\u00e7\u00f5es do protesto, \u201canunciava esperan\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m melhor para animar o ato sobre a gera\u00e7\u00e3o de um novo modelo de agricultura do que uma mulher gr\u00e1vida. Helen Santa Rosa, comunicadora popular de Minas Gerais, puxava a cantoria no carro de som com uma barriga de sete meses. \u201cAgroecologia \u00e9 vida! Agroneg\u00f3cio \u00e9 morte!\u201d, repetia acompanhada de um coro. \u201cIr\u00e1 chegar um novo dia, um novo c\u00e9u, uma nova terra e um novo mar. E nesse dia o oprimido na sua voz a liberdade ir\u00e1 cantar. E nesse dia o forte, o grande e o prepotente ir\u00e1 chorar at\u00e9 o ranger dos dentes\u201d, cantava ela, que integra o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA\/NM).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na subida da ponte um painel medindo oito metros de altura por 12 de largura denunciou: \u201cAgrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos matam. Apoio a agroecologia por uma vida saud\u00e1vel no campo e na cidade\u201d. O grande tecido passou por cima das cabe\u00e7as que constroem na pr\u00e1tica a agroecologia, antes se ser pendurada num dos lados ponte, com o objetivo de informar a popula\u00e7\u00e3o local sobre os riscos do atual modelo de desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miraci da Silva, de 61 anos, assim como muitos, n\u00e3o escondeu a emo\u00e7\u00e3o: \u201cEssa \u00e9 uma causa que a gente abra\u00e7a pela liberta\u00e7\u00e3o de um povo explorado por um sistema pol\u00edtico dominante. N\u00f3s trabalhadores rurais precisamos lutar, precisamos nos unir contra um modelo de agricultura que s\u00f3 visa o lucro\u201d, afirmou a agricultora do Mato Grosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Di\u00e1logo da agroecologia com a sociedade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O III ENA defende um modelo de cultivo de alimentos sem venenos e de respeito \u00e0 natureza e \u00e0s culturas, al\u00e9m da reforma agr\u00e1ria. Coincidentemente, um grafite bem no p\u00e9 da ponte sob o rio S\u00e3o Francisco entrava em sintonia com o protesto. Nele, o desenho de um trabalhador \u00e0 frente da bandeira do pa\u00eds. \u201cO povo brasileiro ainda ser\u00e1 respeitado e valorizado. Na bandeira ser\u00e1 rescrito \u201cordem, progresso e respeito\u201d, criticava uma frase em spray.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tr\u00e2nsito ficou parado por quase uma hora e as rea\u00e7\u00f5es foram diversas. A popula\u00e7\u00e3o se dividia entre reclama\u00e7\u00f5es e buzina\u00e7os em apoio. Os moradores de Juazeiro pararam para assistir a passeata. Em certo momento, crian\u00e7as se amontoaram na porta de uma escola infantil. Riam, mandavam beijos, aplaudiam e abanavam as m\u00e3os para os manifestantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Maria Pinheiro aplaudia e dan\u00e7ava, observando a marcha. Ela n\u00e3o sabia o que significava a palavra agroecologia, mas viu uma faixa com os dizeres \u201csem veneno\u201d entendeu que o assunto. \u201cPara mim esse movimento \u00e9 dez. A carne n\u00e3o tem mais sabor, a galinha tamb\u00e9m n\u00e3o. As verduras parecem iguais e j\u00e1 quase n\u00e3o temos peixes. Tem qu\u00edmica em todo lugar\u201d, exp\u00f4s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ind\u00edgenas tamb\u00e9m defendem a agroecologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena tamb\u00e9m fortaleceu o grito. Ind\u00edgenas Kraho cantavam em sua l\u00edngua origin\u00e1ria a satisfa\u00e7\u00e3o de estarem no III ENA. \u201cEssa m\u00fasica diz que n\u00f3s ind\u00edgenas estamos como pequenas emas correndo, todas felizes\u201d, disse Jecilda Crukoy, do Tocantins. Ela e outros integrantes de povos tradicionais relataram que essa foi uma oportunidade de saber o que \u201cseus parentes passam em outros cantos do Brasil\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cViajamos tr\u00eas dias e tr\u00eas noites at\u00e9 Juazeiro. Estou conhecendo mais da agroecologia. Eu converso com outros ind\u00edgenas, outras aldeias. \u00c9 bom saber o que eles passam e se unir\u201d, falou Bepnhoti Atydjare, da aldeia Floresta Protegida, no Par\u00e1. Ele conta que l\u00e1, por n\u00e3o conseguirem mais fazer seus cultivos, as comidas que chegam da cidade \u201ctrazem problema de barriga para as crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Leosmar Terena, do Mato Grosso do Sul, os povos tradicionais est\u00e3o denunciando o modelo de desenvolvimento predominante no Brasil. Para ele, a agroecologia \u00e9 algo muito mais amplo que a dimens\u00e3o econ\u00f4mica, ambiental e social, um modo de vida cujo sistema fortalece a rela\u00e7\u00e3o do ser humano com o passado e sua rela\u00e7\u00e3o com o futuro, se preocupando com as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRefor\u00e7amos a agroecologia como a \u00fanica sa\u00edda para a sociedade, acima de tudo um modo de vida. A agroecologia ind\u00edgena \u00e9 pensada no sentido da sustentabilidade em todas as suas dimens\u00f5es, n\u00e3o podemos pens\u00e1-la sem a inclus\u00e3o dos jovens, crian\u00e7as, mulheres, e lideran\u00e7as. A agroecologia \u00e9 o fortalecimento de valores tradicionais, de humanidade e solidariedade\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outras manifesta\u00e7\u00f5es se unem na ponte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como afluentes outras tr\u00eas manifesta\u00e7\u00f5es em defesa da agroecologia e contra o agroneg\u00f3cio, realizadas simultaneamente no in\u00edcio da manh\u00e3, se somaram \u00e0 da ponte sob o rio S\u00e3o Francisco, por volta das 10h. Um dos atos reuniu cerca de 300 mulheres no escrit\u00f3rio da Embrapa Semi\u00e1rido em Petrolina. Elas reivindicaram que a empresa de pesquisa trabalhe dentro de uma perspectiva de produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis e diversificados e tamb\u00e9m denunciaram a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para as mulheres camponesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Noemi Krefta, do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), a sociedade precisa enxergar a import\u00e2ncia feminina e a constru\u00e7\u00e3o da agroecologia sem a participa\u00e7\u00e3o efetiva delas pode ser uma produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, mas n\u00e3o ser\u00e1 completa e agroecol\u00f3gica. \u201cFalamos sobre a agricultura agroecol\u00f3gica camponesa e feminista que defendemos e tamb\u00e9m fazemos a den\u00fancia de que n\u00f3s n\u00e3o aceitamos alimentos geneticamente modificados. \u00c9 uma ilus\u00e3o dizer que precisa fazer biofortifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da transgenia, isso n\u00e3o vai contemplar as nossas necessidades. Entendemos que a natureza tem de tudo para nos oferecer uma nutri\u00e7\u00e3o completa\u201d, disse Noemi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m houve manifesta\u00e7\u00e3o em frente \u00e0 Monsanto, em Petrolina, uma das transnacionais respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos e agrot\u00f3xicos. O terceiro ato ocorreu no Mercado do Produtor de Juazeiro, onde uma grande bola infl\u00e1vel alertando para o perigo dos mosquitos transg\u00eanicos da dengue chamava aten\u00e7\u00e3o. Nela, a letra T dentro de um tri\u00e2ngulo amarelo, s\u00edmbolo dos organismos geneticamente modificados. Um panfleto explicativo foi distribu\u00eddo: \u201cn\u00e3o h\u00e1 testes toxicol\u00f3gicos que comprovem n\u00e3o haver riscos no caso de picadas de f\u00eameas do mosquito modificado em animais ou humanos\u201d, destacou um trecho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por Gilka Resende, Eduardo S\u00e1, Camila Nobrega | Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0* Colabora\u00e7\u00e3o: Mois\u00e9s Matias<\/p>\n<ul class=\"ssb_list_wrapper\"><li class=\"fb2\" style=\"width:135px\"><iframe src=\"\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.caritasne2.org.br%2Fsite%2Fato-em-defesa-da-agroecologia-fecha-ponte-entre-juazeiro-petrolina%2F&amp;layout=button_count&amp;action=like&amp;show_faces=false&amp;share=true&amp;width=135&amp;height=21&amp;appId=307091639398582\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"border:none; overflow:hidden;  width:150px; height:21px;\" allowTransparency=\"true\"><\/iframe><\/li><li class=\"twtr\" style=\"width:90px\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/share\" class=\"twitter-share-button\" data-url=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ato-em-defesa-da-agroecologia-fecha-ponte-entre-juazeiro-petrolina\/\">&nbsp;<\/a><script>!function(d,s,id){var js,fjs=d.getElementsByTagName(s)[0],p=\/^http:\/.test(d.location)?'http':'https';if(!d.getElementById(id)){js=d.createElement(s);js.id=id;js.src=p+':\/\/platform.twitter.com\/widgets.js';fjs.parentNode.insertBefore(js,fjs);}}(document, 'script', 'twitter-wjs');<\/script><\/li><li class=\"gplus\" style=\"width:68px\"><div class=\"g-plusone\" data-size=\"medium\" data-href=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ato-em-defesa-da-agroecologia-fecha-ponte-entre-juazeiro-petrolina\/\"><\/div><\/li><li class=\"ssb_linkedin\" style=\"width:64px\"><script src=\"\/\/platform.linkedin.com\/in.js\" type=\"text\/javascript\">lang: en_US<\/script><script type=\"IN\/Share\" data-url=\"https:\/\/www.caritasne2.org.br\/site\/ato-em-defesa-da-agroecologia-fecha-ponte-entre-juazeiro-petrolina\/\" data-counter=\"right\"><\/script><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poeta e agricultor Geraldo Gomes, de Minas Gerais, entoou o canto que fala direto ao cora\u00e7\u00e3o de quem ama a vida: \u201cEu moro no meio do mato\u2026\u201d. 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