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Campanha Contra os Impactos dos Parques Eólicos no Regional NE2 finaliza exposição fotográfica “Para Quem Sopram os Ventos?” com mobilização social e política

Campanha Contra os  Impactos dos Parques Eólicos no Regional NE2 finaliza exposição fotográfica “Para Quem Sopram os Ventos?” com mobilização social e política

É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca. Dom Hélder Camara.  Muitos foram os desafios enfrentados pela Cáritas Brasileira Regional NE2 – CBNE2 para realização da Campanha Contra os Impactos dos Parques Eólicos no Regional NE2, mas, assim como afirma o patrono Dom Helder, a graça das graças é não desistir nunca e dessa forma foi feito.

No período de abril a maio deste ano, a instituição promoveu nos estados de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco com o apoio da Universidade Católica em Pernambuco – UNICAP, Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Universidade federal da Paraíba – UFPB e Universidade Federal do Rio Grande do Norte -UFRN , assim como apoio de organizações sociais, e agentes Cáritas a mostra fotográfica  itinerante “Para Quem Sopram os Ventos? “.

Ao todo, centenas de pessoas prestigiaram o momento, que contou em cada estado com programações personalizadas, com destaque para rodas de conversa com alunos das universidades, exibição dos episódios da websérie “Para Quem Sopram os Ventos?”, debate sobre os impacto dos parques eólicos  através da exposição, distribuição de materiais alusivos a campanha como folders, panfletos, convites além da apresentação sensorial captada durante  a gravação da websérie com sons dos ruídos das hélices das torres eólicas, animais e, ambiente dos locais gravados.

Um dos assuntos bastante abordado pela campanha foi sobre os contatos abusivos por parte das empresas eólicas, para Daniel Lins, assessor jurídico e de incidência política da CBNE2 a forma abordada e ofertada aos agricultores vem sendo realizada de modo injusto e pouco esclarecedor, sobretudo aos que são semi ou analfabetos. “Há uma grande diferença entre os grandes grupos empresariais e as pessoas que aparecem na outra ponta das relações contratuais, que são pequenos agricultores. São apontados, logicamente, os principais benefícios que a comunidade pode vir a ter, vende-se uma ideia de um desenvolvimento econômico naquela comunidade. E para pessoas que estão em situação de vulnerabilidade e exclusão social, qualquer contraprestação financeira que aparecer ali é muito tentadora. Mas o que é pago é muito aquém também do que seria justo, tendo em conta os grandes lucros que são auferidos a partir da instalação daqueles parques eólicos”, completa ele.

A CBNE2 reitera que não luta ou é contra a energia eólica e seus benefícios como energia renovável, mas destaca a importância de rever a forma de implementação dos parques eólicos, que muitas vezes é feita de maneira desrespeitosa com as comunidades agricultoras, ribeirinhas e pescadoras nos estados do Regional NE2, como é o caso do município de Galinhos, no estado do Rio Grande do Norte, onde atualmente se encontra a  maior produção de energia eólica no Brasil , segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Meio Ambiente – IDEMA ”Quando se entra em Galinhos um dos cartões postais infelizmente é o cheiro de peixe morte, na época de instalação foi um dos maiores desastres ambientais do lugar e sem compensação até hoje para a população local, e o que dói é que a energia não fica no município, os impactos acontecem, e as compensações até agora não aconteceram”, declara Miquelina Solano Freire, funcionário pública e moradora do município.

Como desdobramentos da campanha a mostra apresentou vários resultados, além da abertura para a população sobre o tema , divulgação do tema na imprensa local e nacional, e participação política de representantes do legislativo, de órgãos federais, e movimentos sociais que se somaram a campanha será de suma importância para continuidade da elucidação do tema no estados, visto que, agora a campanha entra na fase de mobilização social com  rodas de conversa e formações nas comunidades que foram afetadas pelos parques,  ou estão na linha de futura implementação.

A iniciativa ainda conta com uma Carta Aberta, que se encontra no site da CBNE2  para assinatura , além de  mobilizar a participação social  convidando a refletir  sobre os problemas gerados por este megaprojeto, para que juntos possamos  exigir mudanças quanto os impactos nas implementações dos parques eólicos, problemas relacionados a cláusulas contratuais e à nível ambiental, social e cultural.

 


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